Mostrando postagens com marcador década. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador década. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
O “cineminha” do Credi City
Apesar de ter nascido em 1950, a televisão ainda engatinhava no final daquela década e inicio dos anos de 1960. E era fundamental a propaganda como forma de divulgação de lojas e produtos. E Jundiaí teve um grande marqueteiro, focando sua propaganda na melhor maneira possível. Assim, no Centro surgiu o primeiro grande prédio da região, onde foi instalada a loja Credi City. Hoje, no local existe o Magazine Luiza, na rua Barão de Jundiaí, esquina com a rua da Padroeira.
O texto poderia parecer mais um comentário jornalístico do que uma simples recordação de um tempo que só existe na memória de alguns. E a minha registra que, nesta época, por volta das 18 horas, quando a noite começava a chegar, a parede do prédio, localizada na direção da Catedral, no alto, à esquerda, tinha início a projeção de slides comerciais. Eram propagandas de lojas da região central, inclusive do próprio Credi City, muitas delas em forma de desenho animado. Mas tudo sem som. Rei das Roupas Feitas, Lojas Magalhães, Cines Marabá e Ipiranga, Cica eram algumas das propagandas exibidas e que a gente, da minha casa, na Vila Progresso, na avenida São Paulo, conseguíamos ver e que chamávamos de “cineminha”.
A distância parece estranha, mas víamos sem problemas a exibição. Não haviam prédios nesta época, as árvores nas ruas ou não existiam ou eram pequenas, o que significava que não tinha como não ver o alto prédio do Credi City, bem no centro da cidade, projetando os slides comerciais.
O melhor lugar para assistirmos era da janela do quarto de nossos pais. Subíamos, eu e meus irmãos, na cama, para ter uma visão melhor. Para não haver briga – e sempre havia... – uma vez cada um estava sobre a cama. O problema é que isso acontecia, como disse, no início da noite, o que significava que tínhamos que jantar. E meu pai era rigoroso com relação ao horário. E seis e meia era hora de jantar...
O curioso é que sabíamos a sequencia dos comerciais... “Agora é da Cica... agora é do Rei...”, gritava um ou outro irmão, tentando adivinhar, mas já sabendo que iria acertar. E quem era mais rápido, vibrava com o acerto. Mas a exibição era rápida. Não passava de uma hora. A gente imaginava que era para chamar atenção de quem estava no Centro, saindo do trabalho ou procurando um dos cinemas para a sessão da noite.
O horário de exibição só era prorrogado em dezembro, quando o comércio ficava aberto até mais tarde e o movimento no Centro era grande. Mas não tínhamos como assistir de casa, exatamente por conta do horário da janta. Então, uma vez por semana, pedíamos autorização para nossos pais para darmos uma volta na cidade, com a desculpa de ver vitrines. E chegando perto da Catedral, ao lado da Galeria Bocchino, parávamos para ficar vendo o que chamávamos de “cineminha”. Mas neste local, um grupo grande de crianças fazia a mesma coisa. Os adultos passavam comentando o que a criançada fazia, mas seus olhos passavam pelo alto do prédio do Credi City. Só para ver que comercial estava sendo exibido...
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
A arte de ensinar!
Para explicar o movimento de rotação, a professora, dona Gemma, reuniu alguns alunos na frente do quadro negro, colocou um no meio da roda e os outros girando ao redor dele. Era uma explicação simples, sem pesquisas em livros. Quando a aula terminou, os alunos deixam a sala de aula indo para casa e comentando no caminho a facilidade da explicação. Todos tinham entendido. Em casa, os alunos comentavam com os pais e se mostravam felizes com que dona Gemma dizia.
No outro dia, alguns alunos – pois na década de 1950, as classes não eram mistas, ou seja, meninas não se misturavam com meninos – levavam flores ou Sonho de Valsa – único tipo de bombom existente na época – para a professora. Ela se sentia envaidecida, mas os que não levaram acabaram chamando os outros de “puxa sacos”. E aí, bem aí a professora não chamou nenhum grupo na frente para explicar a situação.
Para ela, o mais importante era o aprendizado. Para alunos do terceiro ano primário entenderem o significado do movimento de rotação era mais importante do que flores e bombons. Mas servia para mostrar o reconhecimento dos pais ao ensinamento dado na sala de aula. A gente via no semblante da professora a satisfação do dever cumprido. E a reação de todos a levou às lágrimas, pois quando terminou de falar, os alunos, sem combinar, mas por instinto inexplicável, se puseram de pé e aplaudiram a mestra.
O Grupo Escolar Paulo Mendes Silva, na rua General Carneiro, esquina com a rua Fernando Arens, funcionava com alunos em três horários: das 8 às 11, das 11 às 14 e das 14 às 17 horas. E isso, de segunda a sábado. Por conta do grande número de alunos, uma classe funcionava em outro local: na rua Moreira César, num pequeno salão, próximo à farmácia do Arquimedes. E neste ano, a minha turma tinha aula neste prédio: um pequeno salão, com cerca de 30 carteiras duplas, abrigando os alunos.
Sentíamos isolados e sempre que terminava a aula, os garotos subiam até o prédio principal apenas para rever colegas que haviam mudado de classe ou apreciar as meninas que entravam e saiam do prédio. Carrinhos de pipoca, de raspadinha ou de biju nunca desciam a Moreira César para satisfazer um grupo de alunos. Por isso – e este também é outro motivo – nos levava até o prédio central da escola.
Lembrar de lágrimas de professoras significa perceber a sensibilidade das mesmas. Nem sempre havia vaso de flores sobre a mesa das professoras, até porque saía uma e entrava outra. Quando o sinal tocava para uma turma sair, a outra já estava no pátio pronta para seguir o caminho das salas de aula. E a gente via a professora saindo com o vaso com meia dúzia de flores. Feliz por ter certeza de que tinha cumprido seu dever: o de ensinar e educar as crianças... Os bombons, curiosamente, Dona Gemma repassava para alguns alunos que se destacavam durante a aula.
Assinar:
Postagens (Atom)